Pode parecer esquisitinho, mas nunca ambicionei casar.
Já disseram que nós somos nós e nossas circunstâncias e – seguramente – as minhas contribuíram para essa falta de direcionamento matrimonial na vida. Não acho que isso seja a regra e não questiono aqueles que querem botar “no papel o grande amor”, como cantou meu (platonicamente) amado Chico.
S. e eu somos casados no universo I & S. Não houve qualquer participação do Estado ou da Igreja nessa missão. Não teve edital de proclamas, não houve testemunhas formais, padrinhos, lista de presentes, vestido de noiva. Houve alianças (dessas sim, eu não abri mão, pois acho a simbologia bonita) e uma viúva Clicquot, sorvida em belas taças que a amiga A. nos deu de presente. And this is it! Nós decidimos que esse era nosso estado de espírito: casados. Ligados unicamente pela vontade de assim estar.
Me vejo agora aguardando não apenas um mas dois casamentos. Um com o famoso “tudo o que tem direito” e outro como imperativo do desejo do casal apenas.
O primeiro é o do meu irmão T. e me deixa muito feliz. T. passou por várias paradas muito pesadas para os seus atuais 27 anos. A última foi um caranguejo no sistema linfático cujo tratamento demorou aproximadamente um ano. Um ano de muito sofrimento, medo, angústia, mas também de aprendizado e esperança. E como um prêmio que se dá a um guerreiro após o fim da guerra ele reencontra P. e decidiu que era hora de pegar uma outra estrada, ao lado de uma mulher bacana, amorosa e independente. O casamento será na Igreja católica, quando já terá ocorrido o civil, eu serei madrinha, com roupa de madrinha (mas nem tanto, não há renda, pedras, nem bordados), farei maquiagem, manicure, cabelo. Enfim, uma produção. Depois terá a festa, onde certamente dançarei com S. (que depois de uma dose acima da humanidade se anima) e da qual sairei exausta. Contudo, não deixo de pensar que as únicas coisas que não podem faltar nessa coisa toda não são bem-casados, lembrancinhas e colares de neon, mas, sim, amor, admiração, desejo, alteridade e trabalho. É… decidir ficar com alguém que se ama, requer trabalho. Não aquele normal, mas o de estar atento a sinais, entrelinhas, fadigas. Mas esse trabalho só se justifica se todos os itens anteriores permanecerem ativos.
O outro casamento é o de M., amiga da série “irmã que não tive”, e J, que namoram há uns 7 anos. M. - apesar de já ter querido muito casar – se tornou uma das minhas: passou a não achar casamento such a big deal. Mas com J. foi capaz de construir um dos relacionamentos mais bacanas que conheço (isso porque J. é também muito, muito especial). Não terá juiz de paz, não terá proclamas (embora vá rolar uns bem-casados – rs) e – tcharan! – não morarão juntos. É isso mesmo! Pode parecer estranho, mas podem ir lá no Código Civil: o casamento não pressupõe a coabitação. Ao meu ver, parece que eles estão se sentindo casados (eles dividem tantas coisas – ou mais até – quanto aqueles que o são) e resolveram dizer isso ao mundo (tá, é um universo mais restrito de pessoas). Podia não ter jantar, gente, bem-casados e alianças (olha elas aqui de novo!), mas o que não pode faltar, tanto neste, quanto no primeiro é amor, admiração, desejo, alteridade e trabalho.
Em um, o Estado foi convidado a participar; no outro, apenas aqueles que gozam da intimidade familiar do casal. Mas, no fundo, no fundo, é tudo a mesma coisa: o embarque na corajosa aventura de uma vida compromissada com outra vida, eternamente, enquanto durar.
A esses nubentes do mês de novembro, que eu tanto amo, que eu tanto quero bem, meu desejo de felicidade. Singelo assim.